Superficialidade do ser humano…

•20 Outubro, 2009 • Deixe um comentário

Sábado passado meus amigos me convenceram a, finalmente, ir em um funk com eles. Afinal de contas, como falar mal de uma coisa que a gente não conhece, não é mesmo? Apesar de odiar a música com todas as forças que Deus me deu, encarei a parada. E erroneamente achei que a vodka com energético fosse me ajudar a encarar aquele treco mais “de boa” digamos assim.

A chegada foi tranquila, tava tocando uma boa música eletrônica, muita mulher bonita dançando, galera curtindo e tudo mais… não tomei mais umas pq achei absurdo pagar 5 reais em uma latinha de cerveja… mais tarde eu vi que teria sido melhor ter saído de lá uns 15 reais mais pobre…

Quando começou a tocar a tal da “Gaiola das Popozudas” eu quase dei um treco… não pelo fato de as mulheres terem um corpão (e bota corpão nisso), mas gente…que letrinhas de músicas do inferno eram aquelas? Não vou mentir dizendo que nem me mexi pq tentei dançar um pouco, mas a medida que o troço foi piorando eu fui ficando mais agoniado ainda… “Valeu, mto obrigado, mas agora virei p…” “quero ver tu se f…”. Com todo respeito a quem gosta, mas GENTE, QUE PORRA EH ESSA MEW?????? COMO DIABO ALGUEM PODE GOSTAR DE UMA MERDA DESSAS????? Tá legal que o ritmo pode ser até bom pra dançar, mas como alguém consegue ouvir uma merda dessa e ficar indiferente??

E à medida que o troço ia piorando eu ia ficando mais agoniado ainda… sentei num sofá que tinha por lá e fiquei olhando em volta… um mundo de gente achando aquilo tudo ótimo, a mulherada rebolando e descendo até o chão… e o “panaca” aqui não conseguia nem mais apreciar aquela multidão de bundas rebolando na sua frente. Tudo o que eu mais queria era sair correndo igual a um louco dali e ir embora pra casa purificar meus ouvidos com doses cavalares de Joe Satriani, Dream Theater, James Blunt, Nickel Creek, Linkin Park, Pearl Jam, Paralamas, Capital, Legião, Ira!, Gregorian, Blackmore’s Night… até Sertanejo descia comparado com aquilo lá…

Chegando em casa, tomando aquele banho pra tirar a nhaca da multidão, comecei a pensar em um monte de coisa a respeito de mim mesmo… a única conclusão que tenho é algo que todo mundo já sabe: eu sou inflexível demais. Não dá, gente. Certas coisas eu simplesmente não consigo aceitar… coisas do tipo sair pra uma festa pra pegar geral, ir a algum lugar com musica ruim só pq todo mundo vai e…pegar geral, ir a algum show de axé mesmo não gostando com o intuito de… pegar geral. Tem muita gente que vai ler isso e achar que eu estou mentindo, mas eu NUNCA fiz isso na vida. Primeiro, que eu acho absurdo vc ir num lugar e enfiar sua língua (quando fica só na língua neh) em um mar de bocas desconhecidas. Vamos ponderar aqui que eu não condeno a arte da conquista, em que vc cruza olhares com alguma criatura interessante, sentam, conversam, tomam algo e depois só Deus sabe onde isso vai parar… assim é que é bom… pode ser só algo passageiro, pode ser só uma noitada, mas houve um propósito, houve um interesse, houve um diálogo e pelo menos as pessoas vão se lembrar disso… agora, vai num show desses… vc vê gente passando no meio da multidao, vê caras puxando as mulheres, lascando um beijão, mão aqui, mão ali e 5 minutos depois (ou menos) os dois somem e nunca mais vão se ver na vida…e não muito longe dali, ele já estará pegando outra e ela já vai estar pendurada em outro pescoço…

Meus amigos me criticam porque eu sou assim, porque eu penso assim e porque, como diz meu amigo O.C., sou um PN, um Pega Ninguém. Pois eu digo, afirmo, repito, outorgo, brigo, esbravejo: Prefiro ser um Pega-Ninguém do que me submeter a isso. Onde já se viu a quantidade sobressair-se à qualidade? Por que essa necessidade ANIMAL de sair se esfregando em tudo que é mulher (e mulher em tudo que eh homem) por aí??

Vão lá. Podem me bombardear à vontade. Vocês acham que eu estou sozinho e me sinto sozinho por nunca “pegar ninguém” como vcs dizem. Mas me digam: de quem é a solidão maior? A minha, porque consigo ficar ANOS sem nem beijar na boca procurando por alguém que realmente valha a pena investir ou de vocês, que não conseguem ficar nem um dia sem se montar uns nos outros, em um show maldito de funk ou axé? Estou sozinho SIM, to morrendo de solidão também. Mas eu só quero saber do que realmente vale a pena. E o que vale a pena, pra mim, é o que eu vou poder lembrar pra sempre. Que seja uma maravilhosa noitada com uma linda desconhecida (que eu vou conhecer nesta noitada, claro) ou até mesmo um simples happy hour, com esta nova conhecida, tomando um chopp, comendo petiscos e conversando muito. Talvez até sobre a superficialidade do ser humano.


Pra ouvir:

Deponha suas armas
e renda-se a mim.
Deponha suas armas
e me ame pacificamente, sim.
Use seus braços para abraçar e afagar
aquele que te ama tanto…
Não existe motivo para você declarar guerra
Àquele que te ama tanto
Então esqueça dos outros rapazes pois
meu amor é real,
Saia do seu campo de batalha.

Deponha suas armas e
renda-se a mim.
Sim, deponha suas armas
e me ame pacificamente.
Sim, use seus braços para abraçar e afagar
pois é desse jeito que tem que ser
As armas que você está usando estão me
machucando seriamente
Mas algum dia você vai recuar.
Porque o meu amor, baby,
é o mais sincero que você já encontrou.
Eu sou um soldado do amor, que é
difícil de derrotar.

Deponha suas armas e
renda-se a mim.
Deponha suas armas
e me ame pacificamente, sim
Use seus braços para me abraçar bem apertado
Baby, eu não quero lutar mais.
Use seus braços para me abraçar bem apertado
Baby, eu não quero lutar mais.
Baby, deponha suas armas,
Por favor, baby, deponha suas armas…

“Amores mal resolvidos” – Arnaldo Jabor

•18 Julho, 2009 • Deixe um comentário

“Amores mal resolvidos” – Arnaldo Jabor

Olhe para um lugar onde tenha muita gente:
uma praia num domingo de 40º, uma estação de metrô,
a rua principal do centro da cidade.
Metade deste povaréu sofre de Dor de Cotovelo.
Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estimação,
mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos
tem um amor mal resolvido,
uma paixão que não se evaporou completamente,
mesmo que já estejam em outra relação.

Por que isso acontece? Tenho uma teoria,
ainda que eu seja tudo, menos teórico no assunto.
Acho que as pessoas não gastam seu amor.
Isso mesmo. Os amores que ficam nos assombrando
não foram amores consumidos até o fim.

Você sabe, o amor acaba. É mentira dizer que não.
Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar,
talvez até mais. Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa:
Lembranças, amizade, parceira, parentesco,
e essa transição não é dolorida se o amor for devorado até o fim.

Dor de Cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote.
O amor tem que ser vivenciado. Platonismo funciona em novela,
mas na vida real demanda muita energia,
sem falar do tempo que ninguém tem para esperar.
E tem que ser vivido em sua totalidade.

É PRECISO PASSAR POR TODAS ETAPAS:
ATRAÇÃO-PAIXÃO-AMOR-CONVIVÊNCIA-AMIZADE-TÉDIO-FIM.

Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido
em algumas semanas ou durar muitos anos,
mas é importante que transcorra de ponta a
ponta, senão sobra lugar para fantasias,
idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida
e nos impede de estarmos abertos para novos amores.

Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote,
ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade,
tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez.

Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim.
Enfrente os bons e maus momentos, passe por tudo que tiver que passar,
não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem,
desde o adocicado do início até o amargo do fim,
mas não saia da história na metade.

Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo,
fechando o próprio ciclo.
Isso é que libera a gente para Ser Feliz Novamente.


Texto extraído do blog da minha amiga Larissa – www.larissaportmann.blogspot.com

Lanterna do velho povoado

Não derrame nenhuma lágrima por mim
Eu continuo sozinho
Essa trilha do destino
É toda minha
Uma vez nas mãos da sorte
Não há escolha
Um eco no vento
Você ouvirá minha voz

Alguns escolhem ficar para trás
Alguns escolhem conduzir
Alguns escolhem a sorte dourada
Carregados de avareza
Mas é o coração nobre
Que te faz forte
E nesse coração, esotu sempre com você

A lanterna do velho povoado
Está me chamando para frente
Conduzindo onde quer que eu vá
A lanterna do velho povoado
Uma luz nas sombras
Me levando para perto de casa

Então, quando pensar em mim
Pense com orgulho
Honra e bravura
Regido ao meu lado
E na sua memória
Eu continuarei
Eu estarei sempre nas chamas

Agora que a jornada acabou
Nós viajamos para longe
E tudo o que temos para mostrar
São carros de batalha
Mas no amor que dividimos
Nós iremos transcender
E nesse amor, nossa jornada nunca acaba

Não derrame nenhuma lágrima por mim
Eu continuo sozinho
Essa trilha do destino
É toda minha
Uma vez nas mãos da sorte
Não há escolha
Um eco no vento
Você ouvirá minha voz

Um resumo da minha vida:

•5 Junho, 2009 • Deixe um comentário

“Não foi por uma briga mas também não chegou a ser de comum acordo. A vida trata de afastar as pessoas. Ela estava de mudança de país, ia estudar fora. Sonho que ela carregava desde muito jovem e desejo concedido pelos pais que lutaram a vida inteira para permitir isso. Ela o amava sim. Porém havia decidido dedicar-se primeiro às coisas que julgava importantes antes do amor. Depois de um bom curso superior, mestrado, doutorado, um bom emprego, estabilidade financeira, iria buscar o amor. O que ela não contava era que a vida tivesse atrapalhado seus planos apresentando o amor antes de tudo.

Ele trabalhava numa cidade pequena. Sempre foi rodeado de amigos e incrivelmente sozinho. Tinha um emprego bom, apesar de não ser ainda o que ele queria pro futuro. Queria um dia trabalhar no que gostava realmente e gostava de artes. Gostava de público, de pintura, de música, de palhaço. E gostava dela também.
Não tinham certeza de como se conheceram. Quando contavam, cada um romantizava exaltando cenas e situações que não coincidiam entre si. Típico dos enamorados.
Amavam-se quinzenalmente conforme podiam viajar porque moravam longe um do outro.

Foi um choque pra ele quando soube da mudança dela no ápice da paixão. Ele, no lugar dela, teria abandonando tudo pra ficar com ela. Mas ela não podia, era o sonho de toda uma vida e não podia adiar mais. Foi difícil decidir, mas não podia ser diferente.

Ele a fez prometer que voltaria, alimentaria a esperança da volta todos os dias de sua vida.

Combinaram dele não ir ao aeroporto. A última lembrança seria de uma tarde agradável que caminharam junto ao mar, onde trocaram juras e promessas de amor. Desde a notícia da partida não haviam se visto. Guardariam apenas os sorrisos, não conheceriam a face rosada e os olhos chorosos do outro.

Ela informou a data da partida, mas também não deu detalhes com medo de que ele aparece num último instante e pusesse tudo a perder.

Na bagagem, ela levava além do trivial, uma foto deles.

Na noite da partida dela, ele chorou. E também chorou muitos outros dias depois.

Ela despediu-se da família e partiu rumo à nova vida.
Sentia um frio na barriga pela decolagem, pela insegurança do futuro.
A viagem seguiu tranqüila por algumas horas até que o avião encontrou uma turbulência. O avião começou a chacoalhar, as luzes piscaram uma vez, duas, três. Em seguida a aeromoça apareceu no inicio do corredor gesticulando. As máscaras de ar caíram na cabeça dos passageiros que foram colocando apressadamente. O ar ia ficando cada vez mais escasso. E o medo de que a aeronave despencasse a qualquer instante era apavorante.

Ele estava num barzinho. Saiu com alguns amigos que tentavam, em vão, animá-lo. Tomaram alguns chopes e comiam petiscos. A conversa era leve, o riso solto, mas o pensamento dele estava distante e ele mal respondia aos assuntos discutidos. Foi quando a garganta dele fechou. Ele foi ficando roxo. As mãos no pescoço não ajudavam, elas tentavam se livrar do enforcamento imaginário. O ar faltando. A visão escurecendo. A cadeira virando. Ele caindo e gritos pelo ar.
Nunca tivera asma ou qualquer outra doença respiratória. A falta de ar o pegou de súbito.

Foram segundos que duraram uma eternidade.
E o avião encontrou um céu limpo e seguiu o curso normalmente.

E o ar voltou aos poucos, assim como a consciência dele.

Ela nunca mais voltou. Durante algum tempo ainda trocaram correspondências e juras de amor, até o dia que chegou o seguinte mensagem: “Não volto mais. Siga com sua vida. Estou seguindo com a minha”. Depois daquelas palavras, ela nunca mais se pronunciou ou respondeu qualquer tentativa dele de comunicação.

Ele até hoje espera que ela volte pra ele. E em dias secos, costuma usar uma bombinha de ar.”

Bush – Letting the Cables Sleep ♫

•27 Maio, 2009 • Deixe um comentário



You in the dark
You in the pain
You on the run
Living a hell
Living your ghost
Living your end
Never seem to get in the place that I belong
Don’t wanna lose the time
Lose the time to come

Whatever you say it’s alright
Whatever you do it’s all good
Whatever you say it’s alright
Silence is not the way
We need to talk about it
If heaven is on the way
If heaven is on the way

You in the sea
On a decline
Breaking the waves
Watching the lights go down
Letting the cables sleep

Whatever you say it’s alright
Whatever you do it’s all good
Whatever you say it’s alright
Silence is not the way
We need to talk about it
If heaven is on the way
We’ll wrap the world around it
If heaven is on the way
If heaven is on the way

I’m a stranger in this town
I’m a stranger in this town
I’m a stranger in this town

If heaven is on the way
If heaven is on the way
I’m a stranger in this town
I’m a stranger in this town

Tradução:

Você no escuro, você na dor, você numa corrida
Vivendo um inferno, vivendo uma assombração
Vivendo seu final

Nunca pareço estar onde eu realmente pertenço
Não quero perder o tempo
Perder tempo para chegar

O que você diz esta certo
Tudo que você faz esta bom
O que você diz esta certo

O silêncio não é o caminho
Nós precisamos falar sobre isto
Se o céu está no caminho
Se o céu está no caminho

Você no mar sobre um declínio
Quebrando as ondas

Vendo as luzes apagando
Deixando as amarras desatarem

O que você diz esta certo
Tudo que você faz esta bom
O que você diz esta certo

O silêncio não é o caminho
Nós precisamos falar sobre isto
Se o céu está no caminho
Nós cobriremos o mundo ao redor dele
Se o céu está no caminho

Eu sou um estranho nesta cidade

•25 Maio, 2009 • Deixe um comentário

Não sei ao certo o que escrever hoje. Ulitmamente tenho vivido uma confusão constante entre sentimentos, pensamentos, sonhos, objetivos…o possível e o impossível, o permitido e o proibido, o certo e o errado… afinal de contas, o que é certo e o que é errado?

Não sei dizer ao certo…sei que muitas coisas certas parecem erradas e são taxadas como tal por todos… Tenho pensado muito a respeito. Têm ocorrido situações em minha vida que eu normalmente repudiaria, mas simplesmente não consigo evitar. Como minha avó já dizia: “Nunca se deve afirmar: ‘Desta água não beberei’ “.

Sábias palavras.

Não sei mais o que dizer por hoje. Só queria que alguém, em algum lugar pudesse me ouvir…conversar comigo a respeito de rumos e talvez, me clarear os pensamentos a respeito de determinados aspectos da vida que eu ainda não compreendo.

“Não é fácil encontrar a felicidade em nós mesmos…e é impossível achá-la em qualquer outro lugar.”

Sua vida, às vezes, não depende de você…mas as dos outros, sim.

•19 Setembro, 2008 • Deixe um comentário

O dia: Uma nublada e preguiçosa sexta-feira. Folga do trabalho. Nada a fazer em casa. Pensamentos e mais pensamentos invadindo minha cachola e tomando conta de todo meu ser.

Procurei algo pra fazer na internet. Fui verificar minha caixa de e-mails. Nada de útil e, pra piorar, e-mail de piada sem graça enviada por uma “ex rolo” das antigas. Como sempre, coisas assim vão para o “lixo eletrônico” sem leitura e sem maiores argumentos.

Com a cabeça tomada por esses pensamentos degenerativos e insanos, e não agüentando mais ficar dentro de casa me deixando consumir por estes, peguei as chaves e fui dirigir um pouco pra espairecer. Como estávamos em período de férias, não estava esperando um trânsito muito pesado nessa pacata Brasília de meu Deus.

Dei a partida, pus o carro em movimento. Logo, já me sentia mais aliviado. Dirigir sem rumo e sem destino é algo que me alivia profundamente. Principalmente quando não há horário a se cumprir. Estava me sentindo tão zen que nem a corriqueira vontade de empurrar o pé no acelerador com o ímpeto de um piloto de competições eu sentia.

E assim fui. Vendo a vida na cidade. Velhinhas em paradas de ônibus, crianças brincando em parques, babás passeando com os bebês enquanto os pais estão no trabalho… Às vezes é bom ver como tudo se desenrola quando estamos muito agoniados. Às vezes, é bom respirar a paz de um dia pacato.

Depois de alguns minutos, contudo, senti o ar um pouco mais pesado. O trânsito começara a ficar um pouco mais intenso e a única faixa transitável era a da esquerda. Tudo bem, como não havia retorno por perto (tampouco a vontade de retornar) continuei seguindo.

Foi quando ouvi um barulho desesperador…uma maldita sirene de ambulância se aproximando… Ah não…eu dirigindo pra conseguir um pouco de paz tendo que ouvir um barulho irritante desse?

Olhando pelo retrovisor, eu pude constatar o desespero do motorista e do outro paramédico, que estava no banco do carona. Andando de um lado para outro, atravessando 3 faixas, buzinando além da sirene, pedindo passagem para todos, sendo que poucos concediam (passagem esta que é obrigatória por lei, cabe ressaltar). Vi ainda um senhor que teve a capacidade de reclamar com eles.

http://antoniofernandoborges.apostos.com/ambulancia-~-SCM_154.jpg

Bom, meu pacífico passeio teria uma breve pausa ali, naqueles momentos… A ambulância finalmente chegou perto, já relampejando os faróis altos atrás de mim. A princípio, o motorista abriu para a faixa da direita (eu estava guiando à extrema esquerda, próximo ao meio fio. Era uma via de 3 faixas). O motorista que estava ao meu lado simplesmente ignorou a presença da ambulância e não concedeu passagem, embora eu tivesse freado para que este se deslocasse para a minha frente.

Então, o motorista da ambulância a jogou de uma vez para a faixa da esquerda, relampejando os faróis freneticamente, além daquela luz estroboscópica que estava me cegando.

Comecei a suar frio. Olhei para a direita e não havia espaço para que eu pudesse mover de faixa.

Não sei se acontece com a maioria de vocês, mas sempre que eu me deparo com situações extremas como esta, penso que pode ser algum ente-querido meu que esteja em alguma situação de risco. Pensei por frações de segundo. Repeti comigo mesmo “Deus, que seja feita tua vontade”. Então, com o carro a 60Km/h, reduzi para a segunda marcha, liguei o pisca-alerta e atolei o pé no acelerador.

Nunca vou me esquecer das imagens que surgiam na minha mente a cada 10 Km/h que avançávamos, engolindo o trânsito à nossa frente. Imaginei acidentes de trânsito com vítimas fatais, famílias desfeitas, mães e filhos chorando a perda de um pai em um acidente (90Km/h, 3ª marcha, sem espaço pra mudar de faixa); e logo após, um acidente com moto, capacete rachado, traumatismo craniano, seqüelas eternas, cadeiras de rodas (140Km/h, 4ª marcha, sem espaço pra mudar de faixa)…tudo isso porque estava trabalhando, levando documentos, remédios para alguma senhora doente (180Km/h, 5ª marcha, procurando um espaço, pelo amor de Deus!!) ou ainda lanche, para alguma família que pediu sua refeição por telefone…

Nisso, cruzamos por uma viatura da PM, que, vendo a movimentação, acelera para nos acompanhar (sem muito sucesso…). Quando estou perto de 200Km/h (no velocímetro), encontro uma brecha e abro pra que a ambulância siga para realizar seu salvamento. Vou reduzindo gradativamente a velocidade enquanto a vejo passar “rasgando” . Só tive tempo de ver o polegar do paramédico fazendo sinal positivo para mim.

Alguns metros depois, aquela viatura solicitou que eu encostasse o carro. Pensei: “pronto, lascou”. O guarda pediu os documentos, verificou a placa do carro, minha habilitação e tudo mais. Depois disse “está tudo certo. Pode seguir”. Estranhei, e sem fazer perguntas, segui meu rumo…rumo a não sei onde.

Voltei para casa pensando… Como a gente se preocupa com coisas fúteis. Existe um mundo de gente cujo trabalho é arriscar a própria vida para salvar outras vidas. Eu sei que é inevitável, mas às vezes, pensamentos como “o que irei comer hoje” ou “por que ela me deixou” ou ainda “vou me vingar daquele desgraçado” invadem nossa mente. E desde esse dia eu não deixo de imaginar como esse tipo de pensamento é egoísta. Talvez, você precise de um paramédico algum dia. E talvez ele não consiga chegar até você, porque alguém, em algum lugar, simplesmente não estava com pressa.


PS.: Antes que alguém questione os valores de velocidade apresentados, cabe ressaltar que eu estava guiando um Vectra GSi.

Pra o primeiro post, uma pequena reflexão…

•10 Setembro, 2008 • Deixe um comentário

Vida, doce vida. Com todas suas alegrias, problemas, encontros, desencontros, enfim…com tudo o que ela nos oferece ou nos tira.

Muitas vezes não entendemos o porquê das coisas. Em muitas ocasiões achamos engraçado como tudo acontece tão de repente: algo maravilhoso pelo qual a gente esperava por anos a fio ou ainda algo muito tenebroso, como a perda de alguém que se ama. Tanto faz se é por morte ou não. O problema sempre é a perda.

Já pararam pra pensar sobre como nós humanos nos portamos diante das oportunidades que aparecem em nosso caminho? É bem verdade que a gente possa deixar oportunidades excelentes escaparem por entre os dedos: um emprego melhor, uma oportunidade de estudo, algo assim que a gente sabe que irá alavancar nossa vida, mas deixamos passar com uma idéia infeliz na cabeça: “Ah…minha hora vai chegar”. Eu vivo me questionando “se minha hora vai chegar, qual é a minha hora então? Devo ficar parado esperando que as oportunidades venham até mim, ou devo realmente lutar pelo que acredito, sem medo do que o mundo possa dizer ou fazer? Devo realmente me dar essa chance?”

O grande problema é que tudo na vida é relativo. Um dia você está maravilhosamente bem, sorri pra todos, recebe sorrisos encantadores de volta. No outro, você acorda com aquela cara de bosta, tropeça no chinelo, cai de cara na quina da mesa e aí pronto, seu dia de merda está decretado. Você não rende no seu estudo, você não rende no seu trabalho e quando você vai atender seu celular, você diz “alô, quem me incomoda?”. Existem casos em que a gente só precisa de um sorriso, um abraço para que tuuuuudo que for problema vá pra caixa prego. E é realmente disso que eu quero falar. Sentimentos.

A vida é essencialmente composta por sentimentos. Você com certeza já sentiu um ódio desgraçado daquele valentão da sua escola primária que todo dia roubava seu lanche. E todo dia a mesma história até que você se cansa e, pra surpresa de todos, enfia-lhe um murro na cara e ele não te incomoda nunca mais. Porém, quantas vezes você também ficava admirando aquela pessoinha em especial, que só o jeito de te dizer “oi” já era o suficiente pra vc ter vontade de ir à aula todo santo dia (mesmo tendo que enfrentar o valentão)? O fato é que, sentimentos nos trazem uma força sobre humana. Algo que a gente não explica de onde vem, mas que ela simplesmente vem quando precisamos muito. Como se você fosse um tanque e, quando você se enche, explode violentamente. Essa explosão pode ser positiva. Mas muitas vezes ela não é.

O que eu acho mais admirável na vida é a forma como ela se manifesta pra nós. São coisas muito, mas muito simples mesmo, mas que têm um valor especial, muitas vezes incompreendido ou ignorado. Algo que eu tento aprender é como reconhecer esses sinais. Eles sempre estão presentes, mas vivemos num mundo onde a pressa é algo indispensável. Dificilmente paramos pra enxergar quão maravilhosa a vida é.

Viver é muito bom. Mas melhor ainda é vc carregar a certeza contigo de que alguém em algum lugar se importa com sua existência, ou melhor, com sua vida. É muito bom ter a certeza de que alguém que vc ama te ama também, é muito bom ter amigos que amamos muito, isso sem contar nossa casa, nossa família.

Portanto, aprecie a vida que você tem. Se você não concorda com o meio em que vive, lembre-se: esta é uma decisão que está em suas próprias mãos. Ninguém poderá definir o rumo de sua vida, senão você mesmo.

Esse texto pode parecer meio sem sentido pra alguns. Mas eu tenho consciência que ele irá ser compreendido por pessoas especiais. Pessoas estas que me fazem muito feliz, pois me sinto aliviado só em saber que elas existem.